A gente protege porque ama. Isso não tem discussão. Mas tem uma pergunta que eu me faço direto quando vejo um pai ou uma mãe correndo pra evitar que o filho sinta frio, cansaço ou aquele “eu não aguento mais” no meio de uma trilha: será que, ao proteger demais, a gente não está tirando dele justamente a experiência que ele mais precisa?
Eu andei estudando um pouco sobre isso e descobri uma área do cérebro com um nome complicado — Córtex Cingulado Médio Anterior, ou aMCC pra facilitar — que é ligada direto à força de vontade, à disciplina, à resiliência, à capacidade de continuar quando a coisa fica difícil. E o que mais me chamou atenção é que essa região funciona como músculo: desafio fortalece, zona de conforto constante enfraquece.

O cansaço na trilha como treino cerebral
Pensa numa criança no meio de uma trilha, com frio, cansada, ainda longe do carro. Esse momento incômodo, que a gente como pai às vezes tem vontade de encurtar no colo, é exatamente o tipo de estímulo que fortalece essa parte do cérebro. Não é sofrimento gratuito — é treino. O mesmo treino que, guardadas as proporções, atletas desenvolvem de forma mais consistente do que quem vive uma rotina sedentária.
Eu vejo isso de perto. Minhas duas filhas, hoje com 4 e 7 anos, fazem trilha comigo desde o primeiro mês de vida. E o que eu percebo é exatamente esse padrão: elas topam o desconforto porque cresceram sabendo que ele faz parte do processo, não é uma ameaça.

Longevidade não começa aos 60
Uma frase que ficou martelando na minha cabeça: longevidade não começa aos 60, começa na infância. A gente costuma pensar em saúde mental, autonomia e resiliência como coisas que se trabalham na vida adulta, com terapia, com desenvolvimento pessoal, com anos de experiência. Mas será que não dá pra começar a plantar isso muito antes, literalmente no meio do mato, numa trilha de fim de semana?
Eu não tenho dúvida de que sim. Toda trilha que eu faço com as minhas meninas, eu vejo o mesmo padrão: no início reclama, no meio quer desistir, e no fim chega com uma cara de “eu consegui” que nenhuma tela de videogame entrega. Isso fica. Isso constrói alguma coisa ali dentro que vai muito além daquele dia de caminhada.



Essas de cima são de trilhas em grupo que eu levei em expedições da Cria Outdoor — mesma lógica, em famílias diferentes: o desconforto do caminho vira conquista lá na frente.
Então da próxima vez que seu filho ou sua filha reclamar de frio ou de cansaço no meio de uma trilha, antes de correr pra resolver, respira um pouco. Talvez esse desconforto seja exatamente o presente que ele ou ela precisa. Você já passou por isso com seus filhos? Conta aqui nos comentários como foi.