Você já saiu pra fazer aquela trilha, aquele esporte, correr ou aquela aventura que você ama, só pra respirar um pouco longe da paternidade? Eu já, várias vezes. E não tem nada de errado nisso. A gente precisa desse espaço de vez em quando, um tempo só nosso pra recarregar, se reencontrar como individuo e tal. Pai e mãe precisam disso. Mas uma coisa eu aprendi: seus hobbies podem também se tornar uma das melhores oportunidade de conexão entre você e seus filhos e se você não incluir eles nesses momentos, você pode cair na armadilha de só “recarregar’e sentir fazendo algo que gosta quando está longe dos filhos. Hobby de pai não precisa ser sinônimo de fuga — pode ser ponte.
Durante muito tempo, hobby de pai virou sinônimo de fuga. Aquele momento pra respirar longe da intensidade (e da responsabilidade) de ser pai. E tudo bem precisar desse espaço às vezes, sério, ninguém aguenta ser “pai em tempo integral” sem nenhuma válvula de escape. Digo isso dentro de uma realidade de um pai presente e participativo por completo na criação dos filhos. Mas se a gente permitir, esses mesmos hobbies também podem virar outra coisa: ponte. Momentos de presença, de descoberta e de conexão real com os filhos, em vez de tempo longe deles.



Não importa se é a trilha, escalada, bike, aquele esporte que você ama, camping, ou uma aventura ao ar livre. Nada disso precisa ficar guardado só pra quando “der uma folga” da paternidade. Pode virar parte dela. Esse é o pulo do gato.
Foi mais ou menos assim que aconteceu comigo. O montanhismo, os longos trekkings de travessias a vida toda na estrada, sempre foram a coisa que mais me fazia sentir vivo. Quando a minha primeira filha nasceu, a Gabi, o medo era que essa parte de mim tivesse que ficar em pausa por uns bons anos. Só que não precisou. Dentre todas as atividades outdoor que eu praticava com intensidade, escolhi o montanhismo como sendo aquela que ira focar e compartilhar com minha filhas e minha família. Comecei a levar a mais velha comigo, para praticar montanhismo, desde o primeiro mês de vida, e hoje já são mais de 300 trilhas com as duas. E o que era só “meu” hobby virou algo que a gente constrói junto, toda vez que arruma a mochila.
Não é sobre forçar a criança a gostar do que você gosta. É sobre abrir espaço pra ela conhecer essa parte sua de verdade, incluir ela no seu mundo, no lugar de só ouvir sobre ela depois de adulta. A trilha, o esporte, a aventura, viram um jeito de dizer “isso aqui também é meu jeito de te amar”, sem precisar de discurso nenhum pra isso.
No fundo, nunca foi só sobre o hobby em si. É sobre deixar quem você realmente é alcançar quem você mais ama.
E você, tem algum hobby que ainda é só fuga, mas que dava pra virar ponte com seus filhos? Conta aqui nos comentários.